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Ex-funcionárias violadas por médico no BCP exigem indemnização

Pelo menos quatro mulheres foram violadas dentro das instalações do BCP, banco para o qual trabalhavam. Em 2017, duas delas apresentaram queixa.

O médico foi condenado e preso, mas para Cláudia e Helena isso não basta e é preciso que o banco assuma também a sua responsabilidade no caso.

 

Cláudia Loureiro e Helena Carvalho eram funcionárias do BCP quando, em 2017, foram violadas pelo médico que prestava serviços para o banco.

 

As duas mulheres apresentaram queixa da situação e o profissional de saúde foi julgado e condenado. Contudo, para as duas vítimas isso não é suficiente.

 

Cláudia e Helena querem que o banco também seja responsabilizado pela forma como reagiu à denúncia de ambas e as tentou demover de apresentar queixa. Em entrevista à “Prova dos Factos”, da RTP, denunciam ainda que o banco sabia de mais casos e escondeu-os da justiça.

 

Violações aconteceram em 2017

Quando Helena Carvalho se apresentou junto do médico Fernando Reis procurava ajuda para despistar a origem de uma doença autoimune. A mulher, que é filha de um médico, afirma que ir a uma consulta nunca foi um problema, até àquele dia, em junho de 2017.

 

Alegando que o seu problema de saúde tinha uma origem ginecológica, o médico, depois de lhe massajar as pernas, acabou “por introduzir um dedo no clitóris e massajá-lo”.

 

“Fiquei de tal maneira em choque que não fiz nada, não contei a ninguém”, recorda Helena referindo que acabou por ser criticada por isso. A mulher acabou por meter férias e baixa nos dois meses que se seguiram, devido ao trauma. Chegou a ir a uma segunda consulta, onde as práticas sexuais se repetiram.

 

Dias depois, Claudia viveu uma situação semelhante. Numa ida ao médico do trabalho por causa de uma infeção urinária, o médico Fernando Reis acabaria por apresentar o mesmo modus operandis A vítima ordenou que o médico parasse e acabaria por se levantar e abandonar o consultório.

 

Queixa apesentadas

As duas mulheres apresentaram queixa nos Recursos Humanos do banco e aquilo que lhes foi dito é o que está na origem da queixa que apresentaram contra o Estado português no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

 

Quando Helena, dois meses depois da violação, se dirigiu aos Recursos Humanos para denunciar o que vivera, foi demovida de apresentar queixa.

 

“Helena é muito bonita, está num mundo de homens, veja lá o que vai fazer com a sua carreira”, disse então a responsável deste departamento, informando-a que outra mulher tinha tentado fazer queixa e já não trabalhava ali. Helena acabou por apresentar queixa cinco meses depois do crime.

 

Já Cláudia, que na altura da sua violação, soube do caso de Helena, não hesitou em apresentar queixa de imediato ao Ministério Público.

 

Médico foi preso

Fernando Reis, médico que tinha sido contratado por uma empresa externa, foi julgado e foram provados os factos de que era acusado. Em 2025, foi condenado e preso por cinco anos na Prisão da Carregueira.

 

Mas para Cláudia e Helena isso não é o suficiente. Segundo ficou denunciado na reportagem da RTP, as indemnizações a que tinham direito foram reduzindo à medida que a gravidade dos factos foi aumentando.

 

As duas mulheres, na casa dos 50 anos, e que estão atualmente reformadas por incapacidade, apresentando, entre outros problemas, stress pós-traumático, não se conformam com a indemnização que receberam nem com as justificações apresentadas pelo banco.

 

Cláudia exige cerca de 130 mil euros por gastos relacionados com o processo e pagamentos relacionados com o seu trabalho. Já Helena exige, pelo menos, um milhão de euros, pela forma como considera que lhe foi roubada “a sua dignidade”. Segundo a mesma, se o banco tivesse agido assim que recebeu as primeiras denúncias, Cláudia nunca teria de ter passado por esta situação, que, acusa, lhe estragou a vida.

 

Já o banco defende que embora a situação “tenha acontecido num contexto externo, isso não prejudicou o banco de, desde o primeiro momento, ter acompanhado e dado todo o apoio às vítimas” e lembra que em relação a outras médicos “o Tribunal do Trabalho deu razão ao banco”.

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