Liliana deixou Portugal impulsionada pelo sentimento por Ricky e recomeçou a vida na Suíça, onde o marido já se encontrava a viver, com experiência anterior no país e domínio do alemão, ao contrário da agora concorrente da TVI, que enfrentou uma fase dura de adaptação, marcada por exploração laboral e discriminação no trabalho por parte de colegas. A amiga de longa data do casal, Vanessa Ferreira, recorda que o desejo de Liliana de entrar na “Casa dos Segredos” ficou engavetado durante 14 anos, enquanto, para garantir que a jovem pudesse concretizar um sonho académico, o casal aceitou trabalhar num clube noturno bastante sugestivo, palco habitual de várias figuras de reality shows, incluindo participantes do “Love on Top”.
Desde criança que a ex-concorrente do “Secret Story 3” mantém ligação a Ricky, uma vez que ambos cresceram na mesma zona e integravam o mesmo grupo de amigos, mas só anos mais tarde, já a viver na Suíça há vários anos, Vanessa conheceu Liliana, com quem viria a criar uma forte amizade. “Nós andámos na universidade juntas e na altura vivíamos juntas. Tirámos o curso de Gestão Hoteleira”, relembra em declarações exclusivas à TV 7 Dias, explicando que, nessa fase, o casal ainda não se cruzara. Após a participação de Vanessa na “Casa dos Segredos 3”, terminada nas primeiras horas de 2013, o destino acabou por juntar Liliana e Ricky: “Eu lembro-me de uma vez a Liliana mandar uma mensagem: ‘Vanessa, tu não acreditas quem eu conheci?’ E eu: ‘Então quem? O Ricky. O Ricky também te conhece’. E pronto, foi desde aí que eles começaram a namorar”, conta, acrescentando que o casamento chegou poucos anos depois.
A procura de uma vida mais estável e a experiência acumulada na Suíça levaram Ricky a regressar ao país helvético, decisão à qual a esposa acabou por se juntar, numa escolha guiada pelo amor. “Eles estavam com uma relação de distância e foi aí que surgiu a oportunidade da Liliana emigrar também um pouco por causa do Ricky”, relata Vanessa, sublinhando que a integração da jovem foi muito mais dura: “Para a Liliana foi mais difícil a integração. Ela sofreu muita discriminação no início, o que é muito comum também entre imigrantes. A experiência foi para ela um bocadinho injusta. Posso dizer isto porque eu vi muita coisa que lhe aconteceu e não foi fácil. Mas eu acho que nos últimos anos, desde que ela enveredou pelo negócio próprio, mudou muito a visão e o estado de felicidade dela cá na Suíça. Agora ela fala super bem alemão”.
Quando questionada sobre o que presenciou, Vanessa assume algum receio em expor detalhes e recusa identificar empresas, mas não esconde o cenário vivido pela amiga: “No início ela começou nas limpezas e não era muito bem tratada. Havia ali abuso no horário, na carga laboral e era muito mal paga. Depois fazia trabalhos em que estava envolvida com muita pressão, com muito abuso de poder. Como ela chega como imigrante, não fala alemão, precisa de trabalho e não conhece as leis, abusam e ela sofreu muito com isso. Acho que a discriminação e o assédio laboral que também houve depois num outro tipo de trabalho, foi aquilo que lhe causou mais sofrimento”, partilha. Liliana foi ainda alvo de “colegas de trabalho que a desprezavam, que falavam mal dela. Às vezes basta uma e, se ela não for muito protegida pela empresa, faz o que quer, mas tem ali o alvo a abater que, naquele caso, foi a Liliana”, descreve Vanessa, justificando o cuidado em não expor publicamente nomes num país onde “toda a gente tem seguro de advocacia. Ou seja, tendo esse seguro, o advogado é praticamente gratuito. Qualquer situação, as pessoas tratam com advogados”.
A insatisfação com a vida que levava e a vontade de alcançar estabilidade financeira empurraram Liliana e Ricky para a noite, numa altura em que, na Suíça, “os cursos são muito caros” e o casal não dispunha de grande fundo de emergência, obrigando a trabalhar arduamente para suportar a formação da jovem, gesto que Vanessa lê como prova de “resiliência, força de vontade e espírito de sacrifício”, ao ponto de Ricky ter deixado de fumar para ajudar a pagar o curso, situação que a amiga garante ter acompanhado de perto. Para amealhar dinheiro, o casal aceitou trabalhar no Princess Club, em Luzern, espaço de Milos Kant, ex-companheiro de Margarida Aranha, conhecido por receber ex-concorrentes de vários reality shows, onde, em muitos casos, os convidados subiam ao palco para se despirem e dançarem de forma sensual; no entanto, Milos esclarece que, no caso de Liliana e Ricky, o trabalho passou pelo bar, pelo escritório e pelo balcão, com passagens mais longas ou curtas consoante as fases de vida, nomeadamente o nascimento da filha Maria e a abertura do negócio próprio da concorrente, que, apesar disso, continua a visitar a discoteca ocasionalmente



